Achar que foi, realmente, o João Henrique quem destruiu Salvador é uma falta de senso tão grande quanto achar que foi, realmente, a Princesa Isabel quem “libertou” o povo negro do regime de escravidão que os oprimia.
Exigir que o prefeito “desocupe” a prefeitura é uma alternativa tão eficaz quanto votar, a fim de mudanças, em Leão, ACM Neto, Pellegrino ou qualquer outro candidato do próximo pleito…
Nenhuma “mudança” social, cultural ou urbana, sem a pontual influência de uma revolução popular ou guerra, acontece da noite para o dia. E a culpa não pertence mais aos que maquinam e engendram tal fato quanto aos que se alijam, ou se alijaram, durante décadas, de compor uma oposição ferrenha.
Os casarões da Vitória, Graça, Canela não começaram a ser destruídos há quatro ou oito anos atrás e tampouco nesta administração. Mas é possível afirmar que sob o discreto olhar de desdém da intelectualidade tacanha soteropolitana, um a um tombou ante a ganância e usura dos verdadeiros donos da cidade. Um olhar que, de forma ignorante, carregava toda aquela aura de despeito pseudo-comunista. Um rancor injustificado sobre parte da história da cidade.
Tampouco o inchaço dos grandes bairros da cidade – ocupados por uma população carente de educação, saneamento, segurança e saúde – se deu sem o conhecimento daqueles que poderiam evitar o fato. Culpa de quem? Dá para apontar? Um sistema onde a Igreja Católica, ainda com grande influência, repudiava controle de natalidade que não fosse o da “tabelinha”. Políticos que visavam mais votos e menos trabalho e alguns intelectuais que achavam um absurdo tolher ao povo o direito de decidirem quem engravidava ou não, pois achavam que a política adotada teria paralelo a uma “lavagem cerebral”.
Os bairros que se alastraram de forma irregular sobre áreas verdes e de preservação da cidade, fizeram-no sob o interesse de poucos e o olhar conivente de inúmeras administrações municipais. As grandes construtoras querem fazer a grana rodar, tanto do lado dos pobres quanto do lado daqueles que têm mais e melhores condições. E nessa dança a cidade vai sambar e não é culpa de ninguém específico mas de todos ao mesmo tempo. O egoísmo comum do “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Afinal, quem não quer a tão sonhada “casa própria”?
Agora e mais uma vez, quando a calamidade se estabelece, o desespero coletivo torna-se um afã pouco organizado e caótico em busca de uma mudança significativa. Contudo, será que alguém se pergunta “não quero que desmatem aquela área para construírem um prédio do plano ‘minha casa minha vida’!”. E ainda, será que, alguém em ascensão social vai querer declinar da possibilidade de morar em bairros como Itaigara, Graça, Barra Avenida, Ondina, Canela, apenas por ter sido posto abaixo mais um casarão “velho” e “abandonado”?
Querem mudança de verdade? Peguem em armas, derramem sangue. Gritinhos de “desocupa a prefeitura!” são tão profícuos quanto a última refeição de um condenado à morte.
E será que realmente a massa dos estudantes-cidadãos deste município consegue vislumbrar o que significa tudo o que contém a LOUOS e sua permissividade maliciosa e insidiosa? Será que eles querem saber? E por que cito os estudantes? Porque sempre foram estes, guiados por alguns intelectuais mais velhos, que fizeram a diferença em todos os movimentos que outrora redundaram em modificações consideráveis dentro de qualquer organização social. E nós, temos isso? E me refiro a ambos: intelectuais e estudantes.
A verdade é que toda esta ação, aos meus olhos, parece mais o último grito da vítima abatida, antes de sofrer o estupro (tema em voga nos últimos dias). Talvez pior, este seja um grito desesperado de quem já se reconhece ao espelho como violentado social e urbanísticamente e nada mais tem a fazer do que viver com está chaga física e mental…
Antes de Salvador começar a se reerguer, ela ainda vai cair muito mais fundo… e não adianta atirar pedra na cabeça do atual prefeito, enquanto os verdadeiros donos da cidade continuam morando em condomínios de luxo de São Paulo ou Rio, viajando pelo mundo, sem terem suas reputações ou seus crânios atingidos por uma cusparada sequer…
Portanto, permanecerei cético e descrente ante qualquer ato que pontue e culpe um personagem qualquer e não desvele os verdadeiros culpados por tudo o que vem acontecendo nesta Salvador, cada vez mais fedida, mais pobre e medíocre. Enquanto quisermos malhar o judas, estaremos no caminho errado. E tirar João Henrique da prefeitura é tão eficaz quanto placebo.








Pablo
Certo. Tudo isso eu sei. E que
povo alerta
Abaixo pequeno histórico da p