A sorte está lançada

Textos e pensamentos aleatórios.

  • Sumiu

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    Não era a hora certa para dizer adeus, mas mesmo assim eles o fizeram, pois assim ela queria. Naquele ponto a estrada se apresentava distinta para ambos, não era bem uma bifurcação… Parecia que um estava a querer voltar e o outro a seguir, ou talvez voltar também. Pois já não lembravam de onde vinham, dormiram naquele ponto o tempo suficiente para esquecerem quem eram antes. Construiram um lar, plantaram árvores e o jardim estava florido, nem parecia que haviam chegado por ali há pouco tempo.
    Os caminhos distintos em sentido mas de mesma direção talvez os conduzissem a um reencontro lá no futuro, milhas adiante. O problema eram os atalhos. Ela era fã dos atalhos, queria chegar logo, rápido e sem esforços. Chegar logo e… e partir novamente! Ele, mais paciente gostava da demora da viagem , queria chegar no momento exato – “exato do que?” ela se perguntava. Ele nunca pegava atalhos!
    Partiram com lágrimas aos olhos, cada um para um lado.
    Ela a passos rápidos e largos, lágrimas pulando à face, energicamente olhava para trás. Queria voltar correndo para ele… E quanto mais queria voltar mais acelerava os passos adiante. De qualquer forma ele nunca olhava para trás. Ele a ignorava. Parecia calmo desde ali, tão longe já. Sempre aquela calma que a fazia sentir desprezada. Mais ela chorava, mais rápido ia, aos soluços agora. “Ai que dor! Sabia que me ignorava, já não era de hoje…”.
    Ele, desde que ela decidira ir-se, criara aquela coisa… aquilo que se parecia com ela! Ele não sabia o que fazer, desfrutar da companhia dela doía muito pois cada minuto parecia mais como um adeus do tamanho de uma vida inteira. O que ele chamara de “eu mesmo” ficara parado no mesmo lugar, ele sabia que ela iria andar rápido como sempre e não perceberia que “eu mesmo” estava parado. Enquanto isso ele a seguia, por de trás da árvore que ele haviam plantado ontem mesmo e já dava frutos… Olhos d’água até… sumiu.

    Não era a hora certa para dizer adeus, mas mesmo assim eles o fizeram, pois assim ela queria. Naquele ponto a estrada se apresentava distinta para ambos, não era bem uma bifurcação… Parecia que um estava a querer voltar e o outro a seguir, ou talvez voltar também. Pois já não lembravam de onde vinham, dormiram naquele ponto o tempo suficiente – no tempo deles –  para esquecerem quem eram antes. Construiram um lar, plantaram árvores e o jardim estava florido e ainda assim parecia que haviam chegado por ali há pouco tempo.

    Os caminhos distintos em sentido mas de mesma direção talvez os conduzissem a um reencontro lá no futuro, milhas adiante. O problema eram os atalhos. Ela era fã dos atalhos, queria chegar logo, rápido e sem esforços. Chegar logo e… e partir novamente! Ele, mais paciente gostava da demora da viagem , queria chegar no momento exato – “exato do que?”, ela se perguntava. Ele nunca pegava atalhos!

    Partiram, cada um para o seu lado.

    Ela a passos rápidos e largos, lágrimas pulando à face, energicamente olhava para trás. Queria voltar correndo para ele… E quanto mais queria voltar mais acelerava os passos adiante. De qualquer forma ele nunca olhava para trás. Ele a ignorava. Parecia calmo desde ali, tão longe já. Sempre aquela calma que a fazia sentir desprezada. Mais ela chorava, mais rápido ia, aos soluços agora. “Ai que dor! Sabia que me ignorava, já não era de hoje…”.

    Ele, desde que ela decidira ir-se, criara aquela coisa… aquilo que se parecia com ele! Ele não sabia o que fazer, desfrutar da companhia dela doía muito pois cada minuto parecia mais com o adeus do tamanho de uma vida inteira. O que ele chamara de “eu mesmo” ficara parado no mesmo lugar, ele sabia que ela iria andar rápido como sempre e não perceberia que “eu mesmo” estava parado. Enquanto isso ele a seguia, por de trás da árvore que eles haviam plantado ontem mesmo e já dava frutos… Olhos d’água até… sumiu.

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